Práticas de Combate a Erosão

Práticas de Combate a Erosão

Para combater a erosão e conservar o solo existem três grupos de práticas:

  •  Práticas de caráter vegetativo;
  •  Práticas de caráter edáfico;
  •  Práticas de caráter mecânico.

Vale lembrar, que nenhuma técnica de combate à erosão deve ser utilizada sozinha. É sempre um conjunto de técnicas, mesmo aquelas de baixo custo, que vão resolver o problema.

Sugestões

Reflorestamento: O reflorestamento significa recuperar a vegetação natural nos topos de morros, matas ciliares ou matas de galerias.

O termo reflorestamento tem sido bastante utilizado como sinônimo de "plantio de eucalipto", mas esse tipo de atividade é tecnicamente conhecido como silvicultura que cultiva árvores florestais, não necessariamente nativas.

Formação e manejo adequado de pastagens: A formação de uma pastagem deve ser considerada um plantio comercial como qualquer outro tomando os seguintes cuidados: Utilização de adubos e corretivos Realização de estudos que evitem o sobrepastoreio Escolha de espécies de gramíneas adaptadas a cada região.

No Brasil a maior parte dos pecuaristas pratica a pecuária extensiva onde o gado é solto numa área relativamente grande e depende da pastagem natural para alimentação. Geralmente, não há nenhuma preocupação com o terreno, resultando em grandes áreas de pastagens bastante degradadas.

Manutenção da cobertura vegetal: A cobertura vegetal tem um efeito muito grande no que se refere à proteção do solo. A manutenção da cobertura vegetal é uma das técnicas mais baratas e eficientes no combate do processo erosivo.

Cobertura morta: A cobertura morta é normalmente utilizada nos períodos de entressafra após a colheita. Porém, muitos agricultores de forma equivocada ainda queimam os restos de cultura expondo o solo diretamente à chuva e ao vento, principais agentes erosivos.

Essa técnica é uma variação da manutenção da cobertura vegetal e também visa à proteção do solo através de sua cobertura.

Controle das queimadas: Prática de caráter edáfico A queimada é uma das práticas mais comuns da agricultura brasileira. Porém, ela destrói a matéria orgânica e mata os microorganismos do solo que são muito importantes na estruturação e posterior manutenção de seus agregados.

Outro aspecto negativo está relacionado à época das queimadas, pois normalmente estas são feitas em junho/julho fazendo com que o solo fique exposto por um grande período de tempo. As exposições aos fatores climáticos acabam tornando a camada superficial do solo praticamente “pulverizada”, o que facilita o carregamento das partículas com o início do período das chuvas, além de favorecer o encrostamento supercial que ajuda na formação de enxurradas.

Adubações: Pouquíssimos agricultores sabem que a adubação e a correção do solo são técnicas importantes para combater a erosão. Essa técnica na verdade visa à manutenção e a melhoria da fertilidade do solo.

Vale lembrar que a colheita de qualquer vegetal implica numa perda dos nutrientes do solo, os quais foram utilizados para o crescimento das plantas. Assim, mesmo solos auto-suficientes (eutróficos) necessitam de adubações para manter sua fertilidade natural. Além da adubação química, adubações orgânicas também podem e devem ser utilizadas. As adubações orgânicas podem ser feitas utilizando resíduos animais (esterco), ou adubos verdes (principalmente leguminosas).

Rotação de áreas (Pousio): A rotação é mais recomendada para áreas sujeitas ao estresse causado pelo uso intensivo. Nela, ou são alternados os usos, ou a área é apenas inutilizada por um determinado tempo, o que é chamado de pousio.

A utilização desta técnica é comum para pequenos agricultores, mas quase não é utilizada em plantios comerciais em que a necessidade constante de produtos dificulta sua adoção.

Preparo e plantio em curvas de nível: O reparo e plantio em curvas de nível tem como principal objetivo o impedimento do acúmulo de água na superfície do terreno através da criação de obstáculos para a água superficial.

Ela pode ser realizada manualmente por tração animal ou mecanicamente, respeitando as curvas de nível do terreno. Os sulcos de plantio e as próprias plantas funcionam como impedimento do escorrimento superficial.

Rotação de culturas: Prática de caráter mecânico A rotação de culturas objetiva melhorar tanto as características químicas quanto as características físicas dos solos. Normalmente na rotação de culturas planta-se alternadamente gramíneas e leguminosas.

A grande vantagem do sistema é que em virtude de seu sistema radicular (fasciculado ou em cabeleira) a gramínea é uma ótima protetora do solo, além de favorecer o processo de estruturação do mesmo, pois adiciona, via raiz, uma grande quantidade de matéria orgânica no solo.

A leguminosa por sua vez, tem a capacidade de estabelecer relação simbiótica com bactérias do solo do gênero Rhizobium, a qual é capaz de fixar o nitrogênio da atmosfera. Isto acaba melhorando muito a fertilidade do solo, o que conseqüentemente favorece o crescimento rápido das plantas e expõe o solo o menor tempo possível.

Subsolagem: A subsolagem é uma forma de combater a compactação do solo, e não especificamente a erosão. Mas, considerando que ao fazer a subsolagem estamos aumentando a porosidade do solo e com isso diminuindo a infiltração, o combate à compactação impede indiretamente a erosão.


A subsolagem é uma técnica cara, onde é utilizado um implemento agrícola (subsolador) que abre sulcos no solo de até 50 cm, quebrando a camada compactada do solo, que ocorre normalmente entre 15 e 20 cm de profundidade. Agricultores que utilizaram a subsolagem têm documentado que com aproximadamente 3 anos a camada compactada tende a reaparecer.

A recomendação atual é utilizar a subsolagem juntamente com adubações o que favorece o crescimento radicular em maiores profundidades, facilitando a estruturação do solo e impedindo o retorno da camada compactada.

Outra técnica que tem sido utilizada atualmente é a subsolagem “vegetal”, onde o plantio de leguminosas, que têm raízes pivotantes, exerce uma grande pressão sobre o solo, destruindo naturalmente a camada compactada e favorecendo a estruturação do solo. Uma das leguminosas mais utilizadas atualmente é o feijão guandu (Cajanus cajan).

Plantio direto: A técnica de plantio direto consiste na aplicação de herbicidas de contato que matam a parte aérea das plantas naturais do local a ser plantado, seguido do preparo do solo apenas nas linhas de plantio.

A técnica de plantio direto consiste na aplicação de herbicidas de contato que matam a parte aérea das plantas naturais do local a ser plantado, seguido do preparo do solo apenas nas linhas de plantio.


A técnica do plantio direto tem diminuído consideravelmente as perdas de solo por erosão (dados indicam uma perda de 0,5 ton/ha/ano), em função da manutenção da cobertura do solo e menor movimentação do mesmo. No entanto, o uso indiscriminado de herbicidas tem causado sérios problemas no que se refere à contaminação do lençol freático em áreas onde o plantio direto é utilizado há muito tempo.

A técnica do plantio direto se iniciou na década de 70, na região Sul do Brasil, em áreas onde o relevo é mais movimentado. Atualmente ela já está bastante difundida no resto do país.

Terraceamento: O terraceamento é sempre combinado com a técnica do plantio em curvas de nível, e pelo seu alto custo é recomendado onde outras práticas não conseguem controlar a erosão. É uma das práticas mais eficientes para controlar a erosão nas terras cultivadas.

A principal função dos terraços é diminuir o comprimento das rampas, reduzindo assim o acúmulo de água na superfície e também o aumento do poder de carreamento das enxurradas. A declividade do terreno é o que determina a praticabilidade do terraceamento, uma vez que a erosão tende a aumentar com o aumento do declive.

Existem vários tipos de terraços a)camalhão: consiste no espaçamento dos sulcos ou camalhões que são a porção de terra disposta para sementeira entre dois sulcos. Pode ser de base larga que é recomendado para locais de menor declive e tem como vantagem a possibilidade de plantio em toda a área ou de base estreita que é recomendado para locais de maior declividade e onde a área do sulco é “perdida” como área de plantio. Esse tipo é bastante utilizado na proteção de culturas perenes (cordão-em-contorno);

b)patamar: são plataformas construídas em terrenos de grande inclinação, formando uma espécie de degrau. O primeiro terraço foi construído pelos incas;

c)terraço individual ou banquetas individuais: pequeno patamar circular construído ao redor de cada árvore. É muito utilizado em fruticultura, e recomendado para locais de maior declividade.

Ajustamento do solo à sua capacidade de uso: Prática de caráter mecânico O ajuste do solo à sua capacidade de uso é realizado através da interpretação de de dados sobre os solos. Mesmo sendo uma das técnicas mais importantes contra a erosão, ela ainda é pouco utilizada.

As suas características e as características ambientais são avaliadas para descobrir o tipo de mais indicado de uso: agricultura, pastagem, silvicultura, ou mesmo área de preservação.

No Brasil existem duas interpretação de levantamento para indicação do uso potencial do solo:

classificação de terras no sistema de capacidade de uso;

sistema de avaliação da aptidão agrícola das terras.

Essas duas interpretações indicam o uso potencial máximo que o solo pode ter, ou seja, qualquer uso além desse limite implica num processo de degradação do solo (sendo a erosão o mais comum).

Como os levantamentos de solos realizados no Brasil possuem escalas muito pequenas, ainda há uma grande carência de informações no que se refere ao potencial de uso dos solos brasileiros.